Os cuidados contra a dengue dentro de casa são uma das principais formas de reduzir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus Zika. Em Fortaleza, a população deve manter uma rotina de vistoria em áreas internas, quintais, varandas, lajes e espaços comuns para eliminar recipientes que possam acumular água.
A orientação dos órgãos de saúde é reservar pelo menos 10 minutos por semana para procurar possíveis criadouros. A medida é simples, mas precisa ser feita de forma contínua, inclusive em períodos sem chuva. O mosquito pode usar pequenas quantidades de água acumulada em objetos aparentemente inofensivos, como tampas, brinquedos, pratos de vasos e bandejas de eletrodomésticos.
Segundo o Ministério da Saúde, o controle do Aedes aegypti depende principalmente da eliminação dos criadouros ou da proteção dos reservatórios que não podem ser descartados. (gov.br)
Por que a vistoria semanal é necessária
O Aedes aegypti é um mosquito adaptado ao ambiente urbano e costuma viver dentro ou nas proximidades das residências. A fêmea procura recipientes com água para depositar os ovos, que podem ficar aderidos às paredes dos reservatórios e resistir por longos períodos mesmo quando o local seca.
Por esse motivo, apenas retirar a água acumulada nem sempre é suficiente. Recipientes que continuarão sendo usados devem ser lavados com escova ou bucha, especialmente nas bordas e paredes internas. Essa limpeza ajuda a remover possíveis ovos fixados no recipiente.
O ciclo do mosquito pode ocorrer em poucos dias quando há temperatura e umidade favoráveis. A vistoria semanal reduz a possibilidade de que os ovos evoluam para larvas e, depois, para mosquitos adultos.
O que verificar dentro de casa
A inspeção deve começar pelos locais onde a água pode ficar escondida ou passar despercebida. O trabalho pode ser feito por toda a família, com atenção a ambientes internos e externos.
Vasos de plantas e jardins
Pratos colocados sob vasos de plantas podem acumular água e se transformar em criadouros. A recomendação é retirar esses recipientes ou preenchê-los com areia até a borda. Quando isso não for possível, o prato deve ser lavado com frequência e não pode permanecer com água parada.
Também é importante observar plantas que acumulam água entre folhas, como bromélias, além de objetos decorativos, fontes e recipientes usados em jardins. A água deve ser retirada e as estruturas precisam ser limpas regularmente.
Ralos, pias e vasos sanitários
Ralos pouco utilizados podem acumular água e devem ser verificados durante a vistoria. A limpeza periódica ajuda a evitar o acúmulo de sujeira e a presença de água. Ralos em áreas externas, como garagens e quintais, também precisam ser incluídos na rotina.
Vasos sanitários sem uso frequente devem permanecer tampados. Em imóveis fechados ou cômodos pouco utilizados, é necessário conferir se não há água acumulada em pias, tanques ou recipientes próximos.
Bandejas de geladeira e ar-condicionado
Bandejas localizadas na parte inferior de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado podem acumular água. Esses compartimentos devem ser limpos conforme a orientação do fabricante e incluídos na vistoria semanal.
O mesmo cuidado vale para bandejas, recipientes e equipamentos que ficam em áreas de serviço, cozinhas, varandas e quartos.
Cuidados com caixas-d’água e reservatórios
Caixas-d’água, cisternas, tonéis, baldes, bacias, potes e outros recipientes usados para armazenar água precisam permanecer bem fechados. A tampa deve cobrir completamente o reservatório, sem deixar frestas que permitam a entrada do mosquito.
Quando a caixa-d’água estiver aberta, danificada ou sem vedação adequada, a prioridade é corrigir o problema. A limpeza deve ser feita de acordo com as orientações sanitárias e de manutenção do reservatório.
O tratamento da água não substitui a necessidade de manter o recipiente fechado. O Ministério da Saúde recomenda eliminar os reservatórios que não são necessários e proteger com telas, capas ou tampas aqueles que precisam continuar em uso. (gov.br)
Produtos de limpeza ou larvicidas não devem ser aplicados de forma improvisada em água destinada ao consumo humano ou de animais. Em caso de dúvida sobre grandes reservatórios, a orientação é procurar o serviço de saúde ou os agentes de combate às endemias.
Como cuidar de garrafas, pneus, lonas e objetos no quintal
Garrafas, latas, copos descartáveis, tampas, brinquedos, embalagens e outros objetos devem ser descartados corretamente ou armazenados em local coberto. Garrafas que permanecerem no imóvel devem ficar viradas para baixo, sem possibilidade de acumular chuva.
Pneus usados devem ser guardados em área protegida da chuva. Se forem mantidos ao ar livre, precisam ficar cobertos de modo que a lona não forme bolsões de água. A cobertura deve estar esticada e ser verificada após cada chuva.
Folhas secas, entulho e resíduos também podem obstruir calhas, ralos e canaletas. A limpeza dessas estruturas evita o acúmulo de água em lajes, telhados e áreas externas.
Depois de uma chuva, é recomendável fazer uma nova vistoria no imóvel, mesmo que a inspeção semanal já tenha sido realizada. Pequenas poças formadas em recipientes, pisos irregulares, brinquedos ou materiais de construção devem ser eliminadas.
Como eliminar larvas e ovos encontrados
Ao encontrar larvas em um recipiente, não basta despejar a água na pia ou no ralo. Essa prática pode transferir as larvas para outro ponto com umidade e permitir que elas sobrevivam.
Uma orientação divulgada pelo Ministério da Saúde, com informações da Fiocruz, é descartar a água com larvas em uma superfície seca, como cimento, terra ou asfalto. As larvas não resistem à falta de umidade. Depois, o recipiente deve ser esfregado com escova ou bucha para remover ovos que possam estar presos às paredes. (gov.br)
O material retirado durante a limpeza não deve ser levado para outro recipiente. Também é importante não deixar baldes, pratos de vasos ou outros objetos virados de modo que possam voltar a acumular água.
Proteção contra picadas do mosquito
A eliminação de criadouros é a principal medida de prevenção, mas outras ações ajudam a reduzir o contato com o mosquito. O Aedes aegypti tem hábitos preferencialmente diurnos, embora também possa picar em outros períodos.
Portas e janelas podem receber telas de proteção. Mosquiteiros também podem ser usados, especialmente para proteger crianças pequenas e pessoas que permanecem deitadas durante o dia.
Repelentes registrados devem ser usados conforme as instruções do fabricante, com atenção à faixa etária, à frequência de aplicação e às áreas do corpo indicadas. Crianças menores de 2 anos não devem usar repelentes sem orientação médica. Roupas que cubram braços e pernas também podem reduzir a exposição.
Inseticidas domésticos não substituem a eliminação dos criadouros. Quando utilizados, devem seguir as recomendações do rótulo, com ventilação adequada e sem aplicação em pessoas, alimentos ou superfícies incompatíveis com o produto.
O que fazer se alguém tiver sintomas
A prevenção dentro de casa não elimina o risco individual de infecção. Febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, mal-estar, falta de apetite e manchas vermelhas podem ocorrer em casos de dengue.
Quem apresentar esses sintomas deve procurar um serviço de saúde para avaliação, diagnóstico e orientação. O tratamento é definido pela equipe de saúde e costuma incluir repouso e hidratação, conforme a condição clínica do paciente.
Não é recomendado tomar medicamentos por conta própria. Diretrizes do Ministério da Saúde orientam evitar salicilatos e anti-inflamatórios não esteroides em casos suspeitos de dengue, além de buscar atendimento em caso de sangramento ou sinais de alarme. (gov.br)
É necessário procurar atendimento imediatamente diante de dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, sangramentos, dificuldade para respirar, sonolência excessiva ou irritabilidade. Esses sinais podem aparecer quando a febre começa a baixar e indicam necessidade de avaliação rápida. (gov.br)
Checklist semanal contra a dengue
- Verifique vasos de plantas, pratos, jardins e bromélias.
- Limpe ralos, canaletas, calhas e bandejas de eletrodomésticos.
- Tampe caixas-d’água, cisternas, tonéis, baldes e outros reservatórios.
- Guarde garrafas com a boca voltada para baixo.
- Retire água de brinquedos, lonas, pneus, tampas e embalagens.
- Mantenha piscinas limpas e tratadas, inclusive quando estiverem sem uso.
- Confira lajes, quintais, varandas e áreas de serviço depois das chuvas.
- Lave com escova os recipientes que não podem ser descartados.
- Descarte corretamente o lixo e não deixe materiais expostos à chuva.
- Converse com vizinhos e familiares sobre a vistoria dos imóveis.
Em Fortaleza, a prevenção depende da participação dos moradores e das ações de vigilância realizadas pelo poder público. A vistoria regular do imóvel, associada à eliminação ou proteção dos criadouros, reduz as condições necessárias para a reprodução do mosquito e ajuda a proteger toda a comunidade.