quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Saúde

Como cuidar da saúde durante os dias mais quentes em Fortaleza

Saiba como cuidar da saúde nos dias mais quentes em Fortaleza, com orientações sobre hidratação, exposição ao sol, atividade física, alimentação, grupos vulneráveis e primeiros cuidados diante de sintomas relacionados ao calor.

Os dias mais quentes exigem mudanças simples na rotina para reduzir o risco de desidratação, exaustão pelo calor, queimaduras solares e insolação. Em Fortaleza, onde as temperaturas elevadas podem ser acompanhadas por alta umidade, o corpo pode ter mais dificuldade para eliminar o calor por meio do suor.

Beber água regularmente, evitar exposição prolongada ao sol, usar roupas leves e observar os sinais do organismo são medidas importantes para proteger a saúde. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e quem trabalha ou pratica exercícios ao ar livre precisam de atenção redobrada.

Por que o calor pode afetar a saúde

Quando a temperatura do ambiente aumenta, o corpo tenta manter sua temperatura interna dentro de uma faixa segura. Para isso, amplia a circulação sanguínea na pele e produz suor. Em locais quentes e úmidos, porém, a evaporação do suor pode ser prejudicada, dificultando o resfriamento natural do organismo.

A exposição prolongada ao calor pode causar perda excessiva de água e sais minerais. Os efeitos variam de sede, cansaço e dor de cabeça a tontura, náusea, cãibras, desmaio e confusão mental. Em situações graves, pode ocorrer golpe de calor, também conhecido popularmente como insolação, uma emergência médica com risco de morte.

O Ministério da Saúde orienta sobre os riscos das ondas de calor e recomenda que a população acompanhe os alertas oficiais, mantenha o corpo hidratado e reduza a exposição nos horários mais quentes.

Beba água ao longo do dia

A hidratação deve ser contínua, e não apenas quando a sede aparece. Tenha uma garrafa por perto e faça pequenas ingestões de água ao longo do dia, especialmente antes, durante e depois de atividades físicas ou trabalhos realizados ao ar livre.

A quantidade necessária varia conforme idade, peso, alimentação, atividade física, condições de saúde e uso de medicamentos. Por isso, não é adequado estabelecer uma mesma meta de consumo para todas as pessoas. Quem tem doença renal, cardíaca ou outra condição que exige controle de líquidos deve seguir a orientação da equipe de saúde.

Água é a principal opção. Água de coco e sucos naturais podem fazer parte da rotina, mas não substituem completamente a água e devem ser consumidos sem excesso de açúcar. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas, pois podem favorecer a perda de líquidos e prejudicar a percepção dos sinais de desidratação. Refrigerantes e bebidas muito açucaradas também não são as melhores escolhas para manter a hidratação.

Cafeína em excesso, presente em café, energéticos, chás e alguns refrigerantes, pode contribuir para desconfortos, palpitações e dificuldade para dormir. O consumo deve ser moderado, principalmente durante períodos de calor intenso.

Proteja-se do sol e escolha horários mais frescos

Sempre que possível, organize compromissos, caminhadas e exercícios para o início da manhã ou o fim da tarde. Evite permanecer sob o sol nos períodos de maior radiação, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde.

Quando precisar sair, procure locais com sombra e use roupas leves, folgadas e de cores claras. Chapéu ou boné, óculos escuros e guarda-sol ajudam a reduzir a exposição direta. O protetor solar deve ser aplicado conforme as instruções do fabricante e reaplicado quando necessário, sobretudo após suor intenso ou contato com a água.

O protetor solar não deve ser usado como justificativa para permanecer por muito tempo sob o sol. A proteção mais eficaz combina barreiras físicas, sombra, roupas adequadas e redução do tempo de exposição. O Ministério da Saúde recomenda cuidados para prevenir insolação e queimaduras, inclusive durante atividades na praia, piscina e espaços esportivos.

Adapte os exercícios e o trabalho ao calor

Atividades físicas intensas aumentam a produção de calor pelo organismo. Em dias muito quentes, diminua o ritmo, faça pausas frequentes e escolha ambientes ventilados ou horários de temperatura mais amena.

Quem trabalha ao ar livre deve buscar sombra nos intervalos, beber água com regularidade e evitar roupas que dificultem a transpiração. A empresa ou o responsável pela atividade deve adotar medidas de proteção compatíveis com as condições do local de trabalho.

Interrompa o exercício imediatamente se surgirem tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, cãibras, visão turva ou sensação de desmaio. Não tente superar os sintomas. Procure um ambiente fresco, descanse e peça ajuda se o mal-estar não melhorar.

Prefira refeições leves e redobre o cuidado com os alimentos

Nos dias quentes, refeições menores e mais leves podem ser melhor toleradas. Frutas, verduras, legumes, grãos e preparações com menor quantidade de gordura ajudam a compor uma alimentação equilibrada. Também é importante não passar longos períodos sem comer, especialmente quando houver atividade física.

O calor acelera a deterioração de alguns alimentos. Mantenha produtos perecíveis refrigerados, observe a validade e evite consumir alimentos que ficaram muito tempo fora da geladeira. Em praias, ruas e eventos, tenha cuidado com preparações que levam leite, maionese, carnes, ovos ou frutos do mar quando não houver garantia de conservação adequada.

Além de provocar mal-estar gastrointestinal, alimentos contaminados podem causar vômitos e diarreia, aumentando a perda de líquidos e o risco de desidratação.

Mantenha os ambientes frescos

Durante o dia, mantenha cortinas, persianas ou outras barreiras fechadas nas janelas que recebem sol direto. Ventile a casa nos horários em que o ar externo estiver mais fresco e, quando possível, permaneça em locais arejados e protegidos da radiação solar.

Banhos frescos, panos úmidos sobre a pele e roupas leves podem ajudar a reduzir o desconforto. Nunca deixe crianças, idosos, pessoas doentes ou animais sozinhos dentro de veículos estacionados, mesmo que as janelas estejam parcialmente abertas. A temperatura interna pode subir rapidamente.

O calor também pode piorar a qualidade do sono, aumentar a irritabilidade e agravar sintomas de ansiedade. Manter o quarto ventilado, reduzir o uso de aparelhos que produzam calor e evitar atividades intensas antes de dormir são medidas que podem ajudar.

Quem precisa de mais atenção

Crianças pequenas e idosos podem não perceber a sede ou ter dificuldade para comunicar que estão passando mal. Por isso, familiares e cuidadores devem oferecer líquidos regularmente, observar o comportamento e verificar se essas pessoas estão em ambientes frescos.

Gestantes, pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais ou circulatórias, diabéticos e indivíduos em situação de rua também podem apresentar maior risco diante do calor intenso. O mesmo vale para quem utiliza determinados medicamentos, como diuréticos, alguns remédios para pressão, antidepressivos e antipsicóticos.

Não interrompa, reduza ou altere qualquer medicamento por conta própria. Em caso de dúvida sobre os efeitos do calor ou sobre a necessidade de ajuste do tratamento, procure o profissional que acompanha o caso.

Reconheça os sinais de exaustão pelo calor

Os primeiros sinais de que o corpo está sofrendo com o calor podem incluir transpiração intensa, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, sede excessiva e sensação de desmaio. A pessoa deve ser levada para um local fresco, colocada em repouso e receber líquidos se estiver consciente e conseguir engolir.

Também é importante afrouxar roupas apertadas, refrescar o corpo com água ou panos úmidos e interromper qualquer esforço físico. Se os sintomas persistirem, piorarem ou ocorrerem em uma pessoa vulnerável, procure atendimento em um serviço de saúde.

Quando a situação é uma emergência

Confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, fraqueza intensa, pele muito quente, temperatura corporal elevada e perda de consciência são sinais de gravidade. Nesses casos, pode haver golpe de calor, que exige atendimento imediato.

Enquanto o socorro não chega, leve a pessoa para um local fresco e ventilado, retire o excesso de roupas e tente resfriar o corpo gradualmente com água fresca, panos úmidos ou compressas em áreas como pescoço, axilas e virilha. Não ofereça líquidos a uma pessoa desacordada, confusa ou com dificuldade para engolir, pois há risco de engasgo.

Em situações de emergência, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192. A orientação do Ministério da Saúde é buscar atendimento médico imediato diante de sinais de insolação, porque o quadro pode comprometer o cérebro, o coração, os rins e os músculos.

Checklist para os dias quentes em Fortaleza

  • Beba água regularmente, mesmo antes de sentir sede.
  • Evite exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes.
  • Use roupas leves, chapéu, óculos escuros e protetor solar.
  • Prefira atividades físicas nos horários de menor calor.
  • Faça pausas em locais com sombra e ventilação.
  • Escolha refeições leves e conserve corretamente os alimentos.
  • Observe crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
  • Não deixe ninguém dentro de veículos estacionados.
  • Procure atendimento diante de confusão, desmaio, convulsão ou dificuldade para respirar.

O cuidado mais importante é não subestimar o calor. A combinação de hidratação, proteção solar, pausas e atenção aos sinais do corpo ajuda a reduzir riscos e permite manter a rotina com mais segurança durante os dias de temperaturas elevadas.