terça-feira, 15 de setembro de 2026
Eleições 2026

Eleitorado brasileiro em 2026 cresce e fica mais concentrado entre adultos e idosos

O eleitorado brasileiro em 2026 ultrapassa 158 milhões de pessoas e apresenta mudanças importantes no perfil etário. Cresce a participação de eleitores com 60 anos ou mais, enquanto diminui o número de jovens entre 18 e 34 anos.
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O eleitorado brasileiro em 2026 ultrapassa 158 milhões de pessoas aptas a votar nas eleições gerais marcadas para 4 de outubro. O número representa um crescimento de 2,2 milhões de eleitores em comparação com as eleições de 2022, mas também revela uma mudança importante no perfil demográfico de quem participa do processo eleitoral.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela Agência Câmara de Notícias, o eleitorado está mais concentrado nas faixas etárias adultas e apresenta crescimento mais expressivo entre as pessoas mais velhas. Ao mesmo tempo, houve redução no número de eleitores jovens, especialmente entre 21 e 34 anos e entre adolescentes com 18 anos ou menos.

Eleitorado envelhece junto com a população brasileira

Em entrevista à Rádio Câmara, o cientista político Carlos Oliveira afirmou que o aumento da idade média dos eleitores acompanha o processo de envelhecimento da população brasileira. De acordo com o especialista, o grupo que mais cresce é formado por pessoas a partir dos 45 anos.

“A gente passou a ter um eleitorado um pouco mais maduro. O perfil do eleitor que começou a crescer mais é dos 45 anos para frente. E isso retrata o próprio perfil da população brasileira, que tem envelhecido”, afirmou.

A faixa etária com maior concentração de eleitores em 2026 é a de 40 a 44 anos, com aproximadamente 15,9 milhões de pessoas, o equivalente a 10,08% do eleitorado nacional. Na sequência aparecem os grupos de 45 a 49 anos, com 15,271 milhões; de 35 a 39 anos, com 15,262 milhões; de 30 a 34 anos, com 15,178 milhões; e de 25 a 29 anos, com 14,9 milhões.

Os dados mostram que o eleitorado adulto reúne parcelas expressivas do total de votantes. O material divulgado, no entanto, não detalha a distribuição completa dos eleitores por estado, município ou região do país.

Eleitores com 60 anos ou mais avançam

O crescimento mais significativo aparece entre as pessoas com 60 anos ou mais. Entre 2022 e 2026, essa faixa etária ganhou 4,56 milhões de eleitores e chegou a 37,45 milhões de pessoas. O grupo representa 23,6% do eleitorado brasileiro.

A participação dos eleitores mais velhos ocorre em uma faixa em que o voto é obrigatório até os 70 anos. Depois dessa idade, o comparecimento às urnas passa a ser facultativo. Ainda assim, o interesse político acumulado ao longo da vida pode influenciar a decisão de continuar votando.

Para Carlos Oliveira, pessoas que já tinham envolvimento com a política tendem a manter a participação eleitoral mesmo quando deixam de ser obrigadas a votar. O convívio familiar também pode ter influência, especialmente quando há proximidade com netos ou bisnetos interessados em política.

O cientista político citou pesquisas realizadas na Europa para explicar que a participação dos idosos não depende apenas da idade, mas também da percepção de representação e do vínculo anterior com a vida pública. Segundo ele, familiares mais jovens podem ajudar a manter esse contato com as eleições.

Número de eleitores jovens diminui

Na direção oposta, houve redução no número de eleitores entre 21 e 34 anos. O grupo passou de 43,8 milhões de pessoas em 2022 para 41,037 milhões em 2026. A queda indica uma menor participação relativa das faixas jovens no cadastro eleitoral, embora o material não apresente as causas estatísticas desse movimento.

Também foi registrada uma redução de 606 mil eleitores entre as pessoas com 18 anos ou menos. Nessa faixa, o voto é facultativo, o que significa que o comparecimento às urnas depende da iniciativa do próprio adolescente e de fatores sociais e familiares.

De acordo com Carlos Oliveira, o ambiente de convivência pode ser decisivo para estimular o alistamento eleitoral. Jovens que vivem com pais, responsáveis ou amigos engajados politicamente teriam maior probabilidade de tirar o título de eleitor e participar das eleições.

O cenário reforça o desafio de aproximar os jovens da política institucional. A redução observada entre os eleitores mais novos não permite, por si só, concluir que exista desinteresse generalizado, mas evidencia a necessidade de compreender os fatores que dificultam o alistamento e a participação desse público.

Mulheres são maioria entre os eleitores

As mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro em 2026. Apesar de serem maioria entre as pessoas aptas a votar, elas ainda não ocupam a mesma proporção entre candidatas e eleitas para cargos políticos.

O cientista político destacou que mudanças na legislação desde a redemocratização buscaram ampliar a presença feminina na política. No entanto, a participação das mulheres em cargos eletivos também depende de transformações sociais, apoio familiar e condições para conciliar a atividade política com outras responsabilidades.

Um dos pontos mencionados na entrevista foi a desigualdade na divisão do trabalho doméstico. Segundo Oliveira, mulheres dedicam, em média, três horas a mais do que os homens às tarefas de casa em diferentes partes do mundo. Essa sobrecarga pode limitar o tempo disponível para a atuação partidária, a disputa eleitoral e o exercício de funções públicas.

Embora o dado revele a maioria feminina no eleitorado, o material não apresenta números atualizados sobre a proporção de mulheres entre candidatas, eleitas ou ocupantes de cargos no ciclo eleitoral de 2026.

Eleitor votará para cinco tipos de cargo

Nas eleições gerais de 4 de outubro de 2026, os brasileiros escolherão presidente da República, governadores, deputados estaduais ou distritais, deputados federais e senadores. A votação definirá representantes dos Poderes Executivo e Legislativo em diferentes níveis.

Para Carlos Oliveira, o eleitor ainda nem sempre relaciona diretamente o resultado das urnas às políticas públicas formuladas por governos e parlamentos. Essa conexão, segundo ele, pode ser fortalecida quando as pessoas percebem como as decisões políticas interferem em áreas como saúde, educação, segurança, transporte e economia.

O especialista também defendeu que o voto considere não apenas interesses individuais, mas os efeitos das escolhas sobre o conjunto da sociedade. Para ele, a participação eleitoral deve ser compreendida como uma forma de preservar direitos conquistados e influenciar os rumos do país.

Os números do TSE indicam que as eleições de 2026 ocorrerão com um eleitorado maior, mais adulto e com participação crescente de pessoas com 60 anos ou mais. Ao mesmo tempo, a queda entre jovens e a diferença entre a maioria feminina no eleitorado e sua presença entre eleitos permanecem como questões relevantes para o debate sobre a democracia brasileira.

Fonte: Agência Câmara de Notícias